Desafios para a produtividade das indústrias são tema de debate virtual na Casa Firjan

Aquário integra a programação especial da quarentena da Covid-19

25/03/2020

Desafios para a produtividade das indústrias são tema de debate virtual na Casa Firjan Desafios para a produtividade das indústrias são tema de debate virtual na Casa Firjan

A fim de contribuir para o fortalecimento da indústria, a Casa Firjan promoveu debate sobre produtividade em tempos de coronavírus, na noite de terça-feira (24/03). A unidade tem oferecido palestras com transmissão online, na programação do Aquário, que ajudem as empresas a lidar com os desafios impostos pela pandemia de coronavírus. Pela primeira vez, todos os participantes estavam remotos. Ana Carolina da Silva Martins, coordenadora do Jurídico Cível e Trabalhista da Firjan, uma das debatedoras, ressaltou a importância, para garantir a segurança jurídica na tomada de decisões, da Medida Provisória (MP) 927 do governo federal, que flexibiliza a legislação trabalhista enquanto durar o estado de calamidade pública. 



Também foram convidados para o debate João Batista Mattosinho Filho, diretor de Operações da Jaguar Land Rover Brasil e presidente do Cluster Automotivo Sul Fluminense; Marcos Lemos Marinho, gerente-geral de saúde da Petrobras; e Daniel Habib, diretor de Operações do MetrôRio. A mediação ficou por parte da Juliana Fontanezi, especialista em Saúde Corporativa da Firjan. Assista abaixo a transmissão na íntegra:



O primeiro caso da Covid-19 confirmado no Brasil foi em São Paulo, em 26/02. As indústrias tiveram que pensar rápido uma maneira de manter a produtividade. Diante dos anseios e preocupações das empresas, o governo federal, em resposta, publicou a MP 927. A iniciativa está alinhada com o Programa Resiliência Produtiva Firjan.



“O governo respondeu ao pedido de apoio do nosso Programa. Tudo foi implementado e ratificado. O regime de home office foi a solução mais adotada pelas empresas por questão de segurança da saúde. Mas vieram muitas dúvidas quanto à regulamentação e à implementação. E a medida provisória veio para acalmar os ânimos”, destacou Ana Carolina. Neste momento, segundo ela, o Jurídico e a área de Recursos Humanos têm que ser os pilares da empresa para interligar todos os atores. “O diálogo mais do que nunca é essencial. A MP 927 facilitou a vida do empregador, ao desburocratizar o processo”, explicou a advogada. 



Home office em destaque
O Aquário também teve como objetivo compartilhar ações e estratégicas para ajudar os empresários a encontrar uma nova cultura de negócio. Nesse aspecto, o home office ganhou bastante destaque. Mattosinho observou que essa política já era aplicada, mas não na escala que está sendo vivenciada. 



“Nessa amplitude e velocidade, foi um desafio operacional. No mundo ideal, 100% dos funcionários têm laptops e meios de informações. Vi empresas fazendo mutirão para levar os desktops para casa dos trabalhadores. As empresas sofreram. Foi um teste inesperado. Com certeza, as empresas vão sair dessa crise mais fortes. É preciso chamar atenção para a segurança da informação, que não deixa de ser uma preocupação por causa da crise”, salientou ele, que se disse um grande defensor do banco de horas. “No Brasil, temos um prazo de 12 meses, muito curto. A flexibilização de 18 meses é bem positiva. O melhor seriam três anos. O banco de horas é uma ferramenta muito importante”, ressaltou.



No MetrôRio, o maior desafio é manter as operações, por ser um serviço essencial, mesmo com a redução de 85% dos passageiros. “Toda a parte administrativa está trabalhando de casa, mas utilizando computadores da empresa para não colocar em risco a segurança da informação. Foi um desafio para os técnicos de TI. Estamos priorizando a manutenção do sistema de operação. Precisamos garantir a mobilidade. O coronavírus vem desafiar as regras do convívio social. Tivemos que mudar hábitos sociais, como deslocar de forma segura, por exemplo, um deficiente visual”, explicou Habib, que precisou aumentar o efetivo de limpeza, mesmo com a queda de receita, para atender as medidas de segurança sanitária.



Como toda empresa, a Petrobras também está aprendendo a trabalhar de forma remota para promover a saúde dos funcionários, segundo Marinho. “Já havia aplicação de home office, em fase piloto. Em uma semana distribuímos mais de 4 mil notebooks, força tarefa gigante da equipe de TI. O desafio inicial foi implementar a rede. Nos dois primeiros dias, tivemos muito dificuldade. Estamos com quase 20 mil pessoas trabalhando em rede agora, com protocolos de atuação”, contou o gerente-geral de Saúde, acrescentando que os colaboradores são orientados a fazer atividade física em casa.



De acordo com Marinho, no começo do processo, na primeira quinzena de março, foi instituído um protocolo de respostas, viabilizando férias antecipadas, mas o foco foi primeiro na saúde dos trabalhadores, em colocar as pessoas em casa e, em paralelo, redobrar os cuidados com os que atuam em regime de escala, em plataformas. “Mudamos as escalas nas unidades operacionais e de embarque. Os funcionários estão fazendo uma quarentena de sete dias em hotel e, após esse período, passam por alguns testes, a fim de garantir a saúde do trabalhador nas áreas em que não podemos parar”, explicou.



Marinho destacou ainda a importância da saúde mental. “Temos um trabalho de telemedicina para atender todos os beneficiários com viés no cuidado integral das pessoas”, pontuou o gerente.